Cotidiano

Semana No. 45

11.19.16

Começou a desgraça já nas primeiras horas da manhã da segunda-feira. Meu avô, pai do meu pai, faleceu. Um infarto, no meio da noite, pegou todo mundo desprevenido. Meus pais tendo que viajar pra resolver funeral e burocracia. Eu e minha irmã tentando nos arranjar pra tomar conta dos meus irmãos. A desgraça continuou na terça. Acordo no meio da madrugada e tenho a brilhante de ideia de dar uma checadinha rápido nos resultados das polls, ver se a Hillary Clinton já era projetada como presidente dos EUA. Dou de cara com “Trump ganha na Flórida”. Perdi o sono na hora e não consegui voltar a dormir. Passarei os próximos quatro anos fingindo que nada disso aconteceu e que Jed Barlett é na verdade 45º presidente americano e pronto.

Como nem tudo é só desgraça, amém, consegui terminar o primeiro esboço do projeto de tipografia. Perdi o fim de semana inteiro e provavelmente desenvolvi uma tendinite no processo, mas como é boa a sensação de estar em dia com ao menos um dos trabalhos da faculdade. O próximo desafio é conseguir terminar as mais de trinta tarefas de desenho que eu deixei acumular por motivos de: socorro. Sigo na fé (cada vez mais escassa) de que no final do semestre conseguirei apresentar um número aceitável de tarefas para prolongar meu sofrimento em Desenho II. Veremos.


Sexta-feira foi dia de correr feito uma louca do metro até a rodoviária para conseguir viajar para Évora. Cheguei na fila às 12h57 pra comprar a passagem e embarcar no ônibus das 13h. Gostaria de dizer que foi tudo friamente calculado, mas foi na cagada mesmo. Voltar pra Évora é sempre uma sensação meio esquisita de voltar pra casa e de estar longe de casa ao mesmo tempo. Ainda mais esquisito foi estar na casa dos meus pais sem eles estarem lá. Mas foi uma oportunidade deliciosa de passar um tempinho com meus irmãos mais novos, fazer maratona de Lost com eles, jogar um pouco de Fallout 4 e matar saudades dos meus felinos.

P.S.: Esse post era pra ter sido publicado na semana passada, mas acabou ficando esquecido (por falta de tempo) aqui nos rascunhos. Porém, é como diz o ditado: antes tarde do que mais tarde ainda.

Cotidiano

Querido Outono

11.01.16

Mudança gradual de temperatura pra quê, né? Aparentemente o clima aqui resolveu sair diretamente de quase 40ºC pra queria ter trazido luvas de um dia pro outro. Deu nem tempo de tirar o cheiro de guardado dos casacos que ainda estavam na mala. E finalmente choveu. Eu que amo chuva, já estava desesperada dos meses e mais meses sem cair uma gotinha do céu. Choveu durante a maior parte da semana, nos outros dias o céu ficou nublado, naquele tempo bom de ficar no sofá, com uma manta (e uma gatinha) no colo, um chá na mão, assistindo Netflix.

Pena que tais planos foram frustrados por motivos de: aulas. Ainda assim prefiro enfrentar a chuva até o ponto de ônibus/metro do que o calor.



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Eu sei que estou sempre dizendo isso, mas o Outono é a minha estação favorita do ano. Amo as cores, a iluminação natural, os dias nublados e chuvosos intercalados com dias em que o sol resolve dar sinal de vida, as receitinhas com Abóbora, o café e o chá que voltam a esquentar a alma e principalmente pisar nas folhas secas que aos poucos começam a cair das árvores.

Acho poético como na Natureza as coisas morrem só pra poder voltar à vida – ainda mais bonitas –, daqui a duas estações.

Quatro Patas

Notas sobre a Willa

10.23.16

Eu não sei se tem uma tradução direta do termo fostering para português, mas bem, vocês talvez tenham visto no instagram que eu estou com um cachorrinho em casa. O nome dela é Willa, uma galga espanhola de 1 ano e 2 meses, que vai ficar aqui em casa essa semana para eu poder avaliar o comportamento dela, com a possibilidade de adoção. Ela chegou de viagem no dia 21 de Outubro e já está se sentindo em casa.

~ Quando a Lola viu a intrusa, ficou bem brava. De acordo com a voluntária que a trouxe, isso é bom, porque vai ser mais fácil pra ela colocar a Willa em seu lugar. Por enquanto as duas estão separadas, só sentindo o cheiro uma da outra. Pra se sincera, tô morrendo de saudades de passar o dia agarradinha com a minha gata, mas tentando me consolar de ser uma situação temporária até as duas se acostumarem a estarem juntas sem perigo ou tanto estresse.

~ Willa dormiu a noite inteirinha sem problemas nesses dois dias. Acho que ela já entendeu que meu quarto fica fora dos limites e nem tenta entrar. Cansar ela antes de dormir também pode ter ajudado bastante. Eu é que não consegui dormir nada na primeira noite, com medo de que ela ia começar a chorar de madrugada e meus vizinhos iam aparecer com tochas querendo me matar.

~ Eu estou tentando deixar ela o mais independente possível já que eu vou precisar ficar fora de casa por algumas horas nos dias de semana. Por enquanto ela aceita bem. Fui fazer uns testes de sair de casa por períodos mais curtos de tempo pra ver como ela reagia, mas a bichinha só dorme e acho que nem reparou na minha ausência.

~ Ela quer pegar todos os pombos que encontra na rua. E só tem pombo em Lisboa. Aos poucos ela está ficando melhor em deixar os pombos pra lá, e eu tenho que ficar atenta assim que ela sobe as orelhinhas pra corrigir e tentar distrai-la antes que ela saia correndo porque fica difícil de segurar. Galgos são sighthounds, criados pra caçar usando a visão. Além dela conseguir detectar uma sacola plástica voando a quilômetros de distância, ela também tem o instinto de correr atrás de tudo que se move.

~ Depois de acordar e encontrar uma piscina de xixi e cocô na sala no primeiro dia, Willa parece ter pego o jeito de fazer as necessidades na rua. Não teve nenhum acidente no segundo dia e segurou até a hora dos nossos passeios. Essa manhã tinha um presentinho no meio da sala de novo, mas imagino que como o estômago dela ainda está desregulado (estresse, mudança de ração, etc.), não tenha jeito.

~ Ela faz sucesso na rua. Volta e meia alguém pergunta que raça ela é e pergunta se pode fazer carinho. E ela adora receber uns mimos de estranhos.

~ Encontrar cachorros durante os passeios ou é uma maravilha ou é um desastre. Se o cachorro está já perto dela, ela se comporta bem. Uma cheiradinha mútua de bundas, uns cumprimentos, e seguimos caminho. Mas se ela vê um cachorro do outro lado da calçada ou lá longe, fica histérica. Quer correr em direção ao bicho, fica latindo, chorando, engasgando de tanto puxar a guia e é claro que o dono do outro cachorro fica assustado e me olha de cara feia. Mas se a gente já conseguiu fazer progressos com os pombos, imagino que conseguiremos fazer progressos com isso também.

~ Já tinha ouvido falar que galgos eram os reis do sofá e bichos que dormem o dia inteiro, mas não imaginava que fosse tão verdade assim. Apesar da Willa ser jovem e animada, ela passa o dia quase inteiro largadona no sofá. Nós passeamos bastante pra ela gastar energia, mas enquanto ela tá em casa, ela tá no sofá. Levanta pra beber água, pegar um brinquedinho ou uma meia e… levar pro sofá.

Por enquanto, ser foster parent de um cachorro está sendo uma experiência deliciosa e assustadora ao mesmo tempo. Quando olho pra carinha dela deitada com a cabeça na almofada, não me arrependo de nada. Mas de vez em quando bate um medo horrível, uma sensação de “meu Deus o que é que eu fui inventar”, saudades da rotina de antes, culpa em relação a Lola e vontade de sumir. Mas a vida é assim, tudo que nos tira da zona do conforto nos desequilibra emocionalmente por uns tempos.

Essa semana vai ser o teste de ficar sozinha durante minhas aulas, pra ver se ela tem ou não ansiedade de separação e começar a introdução dela com a Lola pra ver se a Willa pode ser treinada a conviver com gatos e se a Lola consegue ser feliz dividindo o teto com um cachorro. Olhando pra essa coisinha fofa, eu só posso torcer para que sim.